Haitianos se despedem com esperanças nas propostas feitas pela equipe brasileira de saúde

A terceira missão de representantes da área de saúde do governo haitiano em visita ao Brasil terminou com reunião na Fiocruz, nesta sexta-feira (16/09), com a presença de algumas  peças-chave da equipe brasileira que faz parte da cooperação tripartite Brasil-Cuba-Haiti. No encontro foram discutidas questões de vigilância epidemiológica, informação científica e georeferenciamento.

A vice-diretora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), Cristina Guimarães, deu início ao evento com a apresentação do Portal da Cooperação Tripartite (ainda na versão Beta), que é uma ferramenta desenvolvida com objetivos de concentrar as atividades do projeto, além de permitir a interatividade entre as partes envolvidas no projeto. A plataforma foi apreciada especialmente pelo Dr. Nickolson Barthelemy, especialista em informática e sistemas de informação para epidemiologia.

Em seguida, Dr. Alcindo Ferla, professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, demonstrou algumas ferramentas tecnológicas utilizadas de vigilância epidemiológica, e que poderiam ser adaptadas para a realidade haitiana.

Na sequência, Joyce Mendes de Andrade Schramm, coordenadora do Centro de Investigação sobre Métodos Aplicados aos Estudos de Carga de Doença, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp), enfatizou a necessidade de analisar as informações colhidas sejam feitas dentro do próprio país.

- Se não tem uma competência de análise de dados, não se consegue tomar decisão. A minha experiência na África me mostra que as pesquisas de campo, que eram trazidas em parcerias com as Ongs e com outros provedores de fundo, acontecia que a coleta de informação era feita pelo pessoal local, mas as análises de dados eram feitas nos países de origem, expôs a Dr. Joyce. A solução, segundo ela, seria que antes que iniciasse o processo de coleta de dados, pensassem na capacitação em nível de mestrado e doutorado, dos próprios haitianos, para habilitá-los a fazer esse controle.

O vice-diretor de pesquisa, ensino e desenvolvimento tecnológico, Christovam Barcellos, que trabalha georeferenciamento na área da saúde, falou sobre a experiência brasileira, e ressaltou também a experiência cubana na capacidade de coleta de dados de informações epidemiológicas em cruzamento desses dados com áreas e territórios. “Em Cuba, o que circula não são dados como no Brasil. São relatórios críticos, informações trabalhadas”, destacou Cristovam.  

Os epidemiologistas Drs. Roc Magloire e Robert Barrais disseram que estavam mais esperançosos e ficaram impressionados com a vigilância epidemiológica de forma localizada, que levariam esse conhecimento adquirido e aplicaria no seu país, adaptado às realidades haitianas. “Agora eu tenho que voltar para o Haiti e convencer as autoridades sanitárias envolvidas no projeto, no nível ministerial, para que eles tomem sua decisão, no nível político”, declarou o Dr. Magloire.